UMA PONTA DE VAIDADE: "PARABÉNS, MEU AMIGO, CONTINUE A USUFRUIR ESSE DOM. SUA POESIA SE DESTACA ENTRE A PEDANTE POESIA CONCRETA E A POESIA SIMPLÓRIA DOS QUE QUEREM FORÇAR O GRÃO POÉTICO EM TEXTOS LITERÁRIOS SIMPLÓRIOS". De NILCE SANT' ANNA MARTINS, PROFESSORA DA USP, AUTORA DO LIVRO INTRODUÇÃO À ESTILÍSTICA.
SE... Se, nas flores, encontro perfume, Se, no sol, eu encontro calor, Por que, então, todo esse negrume E, no peito, o espinho da dor? ... Se, no dinheiro, eu tenho fortuna, Se encontro nas artes a fama, Por que, então, o vazio na alma, Atoleiro da desesperança? ... Se, no final, de minha aventura, Eu puder alcançar teu amor, Com certeza, feliz eu serei! Do contrário, que haja mais dor E que a morte arremate a tortura De não ter o que mais desejei. (Poema de Francisco Dantas, outubro de 2009)
HOJE, 1º. DE OUTUBRO, É DIA NACIONAL DO IDOSO. EM SUA HOMENAGEM, TRANSCREVO ABAIXO UM TEXTO QUE DEVE CALAR FUNDO NO CORAÇÃO DE QUEM SE RELACIONA COM AQUELES QUE, DEPOIS DE CERTA IDADE, MAIS MERECEM ATENÇÃO, CARINHO E COMPREENSÃO. MENSAGEM DO IDOSO Se meu andar é hesitante e minhas mãos trêmulas, ampare-me. Se minha audição não é boa, e tenho de me esforçar para ouvir o que você está dizendo, procure entender-me. Se minha visão é imperfeita e o meu entendimento escasso, ajude-me com paciência. Se minha mão treme e derrubo comida na mesa ou no chão, por favor, não se irrite, tentei fazer o que pude. Se você me encontrar na rua, não faça de conta que não me viu. Pare para conversar comigo. Sinto-me só. Se você, na sua sensibilidade, me vir triste e só, simplesmente partilhe comigo um sorriso e seja solidário. Se lhe contei pela terceira vez a mesma história, num só dia, não me repreenda, simplesmente ouça-me. Se me comporto como criança, cerque-me de carinho. Se estou doente e sendo um peso, não me abandone. Se estou com medo da morte e tento negá-la, por favor, ajude-me na preparação para o adeus. (Autor desconhecido) (Texto transcrito por Francisco Dantas, outubro de 2009)
NEM SEI POR QUE INVENTEI DE ME APOSENTAR. Queria viver, como se diz popularmente, apenas de flozô, curtindo o ócio. Numa boa! curtindo o meu blogue, visitando os amigos, fazendo meus comentários, degustando boas leituras, vendo o meu time ganhar ou perder, mas saboreando uma gelada... Qual o quê, hoje vivo mais do que atarefado. Tivesse eu patrão, já teria lhe cobrado umas férias, exiigido uma licença por esgotamento nervoso, etc., etc. Tenho impressão de que nasci com vocação mais para o ócio do que para compromisso . Devo ter sangue baiano em minhas veias. Baiano não gosta de dormir porque "dá um trabalho danado acordar"! Mas, é isso mesmo, dizem que o trabalho enobrece. Será? Com certeza, os salário dos respeitaveis senadores, pois o povo não tem salário de que possa sentir-se enobrecido. Mas por que todo esse leriado? Simplesmente porque me sinto ausente a este meu espaço, e do qual não queria estar diostante. Mas, fica este poeminha como sinal de que não quero me afastar em definitivo deste espaço, nem das amizades aqui conquistadas. Essas linhas foram escritas em 24/08/2009. Hoje são 07/09/2009.
SEQUÊNCIA
no quarto
na cama
no corpo
no seio
me deito
na boca
no tranco
nas coxas
no cio
me vicio
nas veias
no sangue
no corpo
no gozo
me explodo
no suspiro
no relaxo
me estiro e
serenamente
adormeço
(Poema de Francisco Dantas, setembro de 2009)
TRANSCREVO ABAIXO ENTREVISTA PRESTADA POR MIM A EUZA NORONHA, NOSSA GRANDE AMIGA LOBA, NOS TEMPOS DO PALIMPNOIA. É UMA FORMA DE EVOCAR ESSA GRANDE FIGURA DO MEIO BLOGUEIRO, CONHECIDA COMO, ALÉM DE POETA, CONTISTA, CRONISTA, GRANDE MESTRA NA ARTE DE PROMOVER UMA INTERAÇÃO DE QUE SURGIRAM LIVROS PUBLICADOS, CONGRAÇAMENTOS E RELACIONAMENTOS FRUTÍFEROS EM TERMOS DE AMIZADES E DE CRIAÇÕES INTELECTUAIS. HOJE, A LOBA SE ENCONTRA AFASTADA, RESERVANDO-SE A VISITAS EVENTUAIS A SEUS AMIGOS BLOGUEIROS. A ELA A NOSSA HOMENAGEM, A NOSSA AMIZADE E A NOSSA ADMIRAÇÃO.
ENTREVISTA
- O que é poesia para você? E qual a função dela no mundo contemporâneo?
Para mim, a poesia é um meio especial de que o indivíduo dispõe para a expressão de sua subjetividade. Neste sentido, vale a pena evocar-se o poeta Mário Quintana ao referir-se à poesia como manifestação da emoção, provocadora do impulso poético e transfigurada pela arte. Nessa transfiguração, encontra-se a verdadeira caracterização da poesia, que vale pelo conteúdo, mas que se valoriza, prioritariamente, pela forma.
Quanto à função da poesia no mundo contemporâneo, não se pode deixar de se reconhecer que nem o homem nem o mundo sobrevivem sem a poesia. A poesia, como a arte em geral, oferece ao mundo um meio de equilíbrio, de estabilidade, de valorização de sentimentos positivos, de busca de melhores anseios. O efeito terápico, catártico do exercício da composição poética faz parte da vivência humana, nas diversas etapas de vida. E se isto é bom para o indivíduo, é bom, então, para o mundo. Adélia Prado disse, certa vez, que se salvou pela poesia. Assim, acredito eu, o mundo também pode se salvar pela poesia.
- Como você vê a poesia contemporânea brasileira? Que autores você citaria?
Não é fácil falar sobre a poesia contemporânea brasileira, mesmo porque a produção da contemporaneidade está em processo, não tem sedimentação. Em termos de história e de estilo de época, tem razão Fábio Lucas ao afirmar que, na fase atual da poesia brasileira, “o que se nota é um aspecto mais fragmentário”. E conclui por dizer que “o panorama da poesia brasileira contemporânea assemelha-se a uma imensa constelação de estrelas solitárias, cada qual com o seu brilho e a sua trajetória”.
Quanto a nomes, eu citaria, em suas diversas manifestações, Affonso Romano de Sant´Anna, Ferreira Gullar, Carlos Nejar, Adélia Prado, Marcos Accioly, o paraibano Sérgio de Castro Pinto, dentre muitos outros nomes firmados no cenário atual. Mas, ainda evocando Fábio Lucas, há dificuldade em se estabelecer qualquer classificação tendencial.
- Na sua visão, o que move alguém para o caminho da poesia? Existe algum ímã que atrai irresistivelmente? Ou seria um feitiço?
Segundo Roland Barthes, em Aula, “o homem é por si mesmo dramático, pois encena, cria, imagina e escapa do conceitual”. Talvez seja isto o que mova alguém para o caminho da poesia. Talvez esse ímã seja o impulso afetivo que leve o homem a querer expor o seu lirismo sob uma forma de linguagem revestida de aspectos estéticos valorizadores de sua expressão. Daí entender-se a razão de, sempre que aflora uma paixão, um sentimento muito forte, uma situação romântica, surgir o interesse em se expressar poeticamente. Também não é sem razão que predomina a poesia lírica. Isto, porém, não significa que a poesia deva existir como expressão de algo inconsciente, de pura inspiração, de fruto de um feitiço. A poesia deve materializar-se como uma forma resultante de elaboração, de escolhas, de burilamento, de soluções estilísticas pertinentes, de funcionalidade, de, enfim, trabalho. Ao contrário do que muitos pensam, o poeta trabalha a poesia. Em seu sentido etimológico, poesia significa criação, ação, fabricação, confecção, e tudo isso, redundantemente falando-se, implica trabalho.
- Um poeta já nasce poeta ou trabalha para sê-lo? E como seria este trabalho, além da constante leitura de poesia?
Ninguém nasce poeta. Mas creio que, na complexidade da máquina humana, o indivíduo pode vir à luz com, como se costuma dizer, um “pendor”, uma tendência para as artes e, particularmente, para a poesia. As circunstâncias vivenciais do indivíduo podem, então, acionar essa tendência à criatividade e favorecer o surgimento de um poeta. Mas o trabalho é importante, a leitura é importante, o domínio técnico é importante, a bagagem intelectual é importante. Enfim, é importante tudo aquilo que se some àquela tendência e faça com que o indivíduo possa progredir em sua expressão artística, em seu fazer literário, em seu fazer poético. A intuição pode ser importante, mas a expressão formal depende de fatores, de escolhas, de princípios que precisam ser descobertos, aprendidos e postos em prática conforme normas estabelecidas e, muitas vezes, até impostas pelo momento histórico, pela sociedade. E esse trabalho consiste, em se tratando de linguagem, no uso adequado de recursos lingüísticos pertinentes, eficientes, adequados ao que se pretende elaborar, uma vez que, na poesia, o prioritário está no enunciado, considerado, em sua estrutura material, como portador de um valor intrínseco, como sendo um fim. A genialidade não liberou as maiores expressões da arte universal da busca de melhores conhecimentos e de melhores técnicas.
- Como a poesia surgiu na sua vida?
Meus primeiros contatos com a poesia se deram, ainda na infância, como ouvinte de canções cantadas por minha mãe e por minhas irmãs. Gostava de ouvi-las cantar poemas musicados, como Meus oito anos de Casimiro de Abreu, Minha terra tem palmeiras de Gonçalves Dias, dentre outros. Havia também freqüentes contatos com os folhetos de cordel, muito fáceis de encontrar, de ler e de ouvi-los nas feiras do interior nordestino. Já como estudante, gostava de ler e reler uma famosa Crestomatia, que havia em casa, além da famosa Antologia Nacional de Carlos de Laet e Fausto Barreto. Nos anos de seminarista, nas séries mais avançadas, o estudo de poetas clássicos, portugueses, latinos e gregos, motivava o interesse pelo desconhecido. Como professor, a poesia já surge como objeto de estudo, de análise, de descoberta e de transmissão de técnicas observadas nos textos de autores brasileiros e portugueses. Como poeta, a poesia surgiu no anoitecer de um dia de maio de 1965, como estudante, em Fortaleza, quando fui invadido por um sentimento de nostalgia, ouvindo o barulho das correrias de um bando de crianças. Foi quando senti desejos de exprimir tal sentimento através de um poema, o primeiro (Vésperas), que está em meu livro Instantes Poéticos. Depois, vieram outros, em diversos momentos da vida; veio o primeiro livro; veio o contato com produções poéticas divulgadas na Internet. E a produção continua.
O escritor sofre a angústia da influência, você tem clareza das influências que a sua poesia sofre?
Não sofro essa angústia, pois, sinceramente, não tenho clareza de influências sofridas por minha poesia. É claro que, situando-se em determinado momento histórico, com leituras, estudos, contatos com obras de importantes autores, o indivíduo dificilmente escapa de marcar seu estilo com traços, consciente ou inconscientemente, herdados de outrem. Ao mesmo tempo, é possível que, em decorrência do chamado “espírito da época”, de que falava Karl Vossler, se constatem convergências de idéias, de pontos de vista, de traços lingüísticos em autores situados em um mesmo contexto histórico. Mesmo entre teóricos, isto é possível, como no caso do já citado Karl Vossler e Leo Spitzer, ambos alemães, situados em uma mesma época, e teóricos de uma mesma corrente estilística. Pelas semelhanças, Leo Spitzer era considerado discípulo de Vossler, sem nunca o haver sido. Havia afinidades, mas, pela falta de contatos, de um com o outro, não seria conveniente falar-se em influência. Em meu modesto caso, é apontada uma influência explícita de Manuel Bandeira, além de referências a influências recebidas de Mário Quintana, e de outros. Fico contente, pois creio que isto só valoriza o que tenho feito. Antes que sofrer, alegro-me.
- Você é um poeta que mantém blog e uma relação de proximidade com seu leitor. Existe algum ganho, em termos de crescimento poético, nesta troca com o leitor? Que tipo de influência ele pode ter sobre a sua poética?
O blog favorece essa relação de proximidade com o leitor. E sempre existe algum ganho nessa interação, que deve influir no crescimento poético de alguém. Tudo depende de como se dá esse relacionamento e com quem ele se dá. Há pessoas que freqüentam o blog, que demonstram terem lido o seu texto com interesse, e tecem comentários de natureza crítica que podem despertar a atenção do autor para algo que possa ou deva ser melhorado, ou evitado. Se não fosse assim, não haveria quem, antes de publicar um livro de poemas, apresente-os ao crivo dos freqüentadores de seu blog. Além disso, pode-se perceber uma atitude de admiração, de seriedade e, sobretudo, de respeito, decorrente, com certeza, do reconhecimento da qualidade de seus textos. Do contrário, o poeta blogueiro se vê isolado, terminando por encostar o espaço, por cancelar o blog , e por sair dizendo por aí que blog é coisa fútil, espaço de bajuladores. É claro que há muitos espaços mal aproveitados como, também, muitos espaços de pura badalação, de trocas de louvores, de improvisações, etc. Em meu caso, não improviso poemas na hora de postá-los, nem os faço pensando em publicá-los no blog. Publico-os, aí, simplesmente, como digo na apresentação de Meus Instantes Poéticos, para dividir com as pessoas minhas sensações e motivações estéticas; repassar a outros o sentimento de que a poesia é um dos meios mais expressivos, eficientes, de que dispomos para influenciar o outro, sobretudo na forma mais positiva, que é a da emotividade, da afetividade, da sensação estética.
(Entrevista de Francisco Dantas)
onírico
Há noites tão distantes
em que teu corpo
entra no meu leito
como um poema perfeito
e brinca de rimar com meus sonhos...
Há noites tão brandas
em que teu corpo queima no meu
com palavras ofegantes
e deliro meu desejo mais intenso
que em teu corpo se perdeu...
Há noites tão extensas
em que penso no teu corpo
como se fosse meu
E silencio acreditando que pensas
no meu corpo sendo teu...
Sandra Regina, paulista, é poeta, autora de O Texto Sentido (São Paulo, Limiar, 2008), do qual transcrevemos o poema acima, prestando-lhe nossa homenagem. No dizer de Roseana Murray, “Os poemas de Sandra são feitos de carne e osso, são corpo, pergaminho, papel em branco, papel reciclado, rascunho, mata-borrão. São poemas- porto onde o outro atraca, lança âncora, escreve, penetra, flutua.
Seu texto quer ser ilha e terra firme, quer dizer com palavras o indizível gozo. Para falar de amor, Sandra dança com a música concreta e líquida de todos os sentidos”.
Thelma Guedes, escritora e roteirista, assim se expressa a respeito do livroO Texto Sentido: “O Texto Sentido é uma voz febril de mulher dedicada ao amado, declarando sua fome de amor e exigindo que ele a ‘folheie sem fôlego’. Ao mesmo tempo, é poesia consagrada ao leitor, convidando-o a ‘visitar seus versos’, despindo-se de tudo, ‘sem limites’. (...) Sem dar ouvidos ao poeta Rilke que desaconselha as poesias de amor, a hábil Sandra Regina comete sua ‘rebeldia poética’, derramando-se de amor e sensualidade, mas desnudando algumas faces ambíguas desse sentimento. A poeta registra, assim, um idioma próprio para o desejo”.
Seus poemas podem ser apreciados no blogue Feita em Versos - feitaemversos.blogspot.com, relacionado ao lado como um dos meus preferidos.
(Francisco Dantas, julho de 2009)
AS VOZES DE MINHA MÃE
O tempo não consegue apagar de mim
A lembrança das brincadeiras
Da minha infância
Hoje entrelaçadas às vozes
De minha mãe.
São vozes saudosas
Prolongadas no tempo
A ecoarem em meus ouvidos:
- Meu filho, venha cá!
A ressoarem em meu coração:
- Meu filho, mamãe te ama!
O tempo passa, mas não apaga
A lembrança viva, em mim,
Das brincadeiras de minha infância,
Das veludosas vozes de minha mãe.
(Poema de Francisco Dantas. Instantes Poéticos, 2006, p. 25)
A FAMÍLIA
No outono, tenho sono.
No inverno, eu hiberno.
Na primavera, eis a Vera.
No verão, ouço trovão.
Faço verso, faço rima,
Isto não é condição.
Se quiser ter uma menina,
Só lhe faço uma exigência,
Não a chame de Idalina,
Muito menos de Efigênia.
Dê-lhe o nome Manuela
E terei amor por ela.
Amo a mãe e amo a filha,
Amo o tio e o irmão.
Amo o sogro e a cunhada.
Mas a sogra é uma facada,
É uma carta desnaipada.
Me desculpe, meu irmão,
Eu não vou nessa jogada,
Pois a sogra é um limão.
(Poema de Francisco Dantas, 2009)
TARÔ
E agora?
O medo me invade
Como o escuro
Do quarto
Em que minha avó
Se foi num infarto
Fulminante raio
Da dor que trespassa
Meu peito
Nesse qualquer momento
De indefinição do que seja -
Morte.
E agora? ...
(Poema de Francisco Dantas, abril de 2009)
DRAMA
Meu medo
Não é de morrer,
Mas de perder você
Em meus abraços.
Eis o drama...
(Poema de Francisco Dantas, março de 2009)
EU-MULHER
Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.
CONCEIÇÃO EVARISTO, poeta afro-brasileira, nasceu em Belo Horizonte/MG em 1946 e reside no Rio de Janeiro desde 1973. Formou-se em Letras pela UFRJ. É Mestra em Literatura Brasileira pela PUC/RJ e doutoranda em Literatura Comparada. É reconhecida, no Brasil e no Exterior, como uma das poetas mais representativas da poesia afro-brasileira.
Poema extraído de Cadernos Negros. Os Melhores Poemas. São Paulo: Quilomhoje, 1998, p.41.
(Francisco Dantas, março de 2009)




BOLERO
Ao pôr-do-sol,
Nuvens vestidas de sombras
Dançam saudades
Ao ritmo de Ravel
Na Praia do Jacaré.
(Imagens e poema de Francisco Dantas, fevereiro de 2009)
MINHAS AMIGAS, MEUS AMIGOS, estamos de volta depois de uns tantos dias de folga, depois das festas de final de ano. 2008, apesar de todos os problemas de saúde, foi um excelente ano, nem que seja pela felicidade de superar problemas aparente ou realmente insuperáveis. Conseguimos juntar material para a publicação de um segundo livro de poemas, que esperamos lançar até o início do próximo ano. 2008 foi um excelente ano também, e sobretudo, pela felicidade da convivência familiar e pela munutenção e aquisição de novas amizades. Para isso, o nosso blog foi importante. Um dos prazeres desse ano foi ver um poema meu em vídeo, no You Tube, na voz da poeta mineira, Eliane Alcântara, vídeo esse atualmente já com mais de 7000 acessos (Ver abaixo**). E, tenho certeza, 2009 promete ser bom, apesar do governo, apesar dos políticos, apesar das injustiças, apesar das criseis, apesar das guerras, apesar dos pesares. Para isso, basta que façamos bem o que nos compete fazer. UM GRANDE ABRAÇO.
FANTASIA
No vai e vem de minha mão,
Revolvo o baú de minhas fantasias
E nelas encontro as linhas do teu corpo,
Por entre as quais me envolvo e me perco.
No vai e vem de minha mão,
Sinto tremores de meu corpo em brasa
E me abraço à lembrança do teu corpo
No ritmo crescente do coração acelerado.
No vai e vem de minha mão,
Tua imagem já me invade concretamente
E começo a incentivar-te ao gozo.
No vai e vem de minha mão,
Depois de imensa explosão orgástica
Me invade, do ato solitário, a frustração.
(Poema de Francisco Dantas, Instantes Poéticos, 2006, 51)
FELIZ NATAL! UM NOVO ANO FELIZ! TUDO DE BOM PARA TODOS NÓS! SÃO OS MEUS VOTOS AOS AMIGOS BLOGUEIROS, COMPANHEIROS DE JORNADA! (VOTOS DE FRANCISCO DANTAS, 2008-2009)
MEMÓRIAS
As tais memórias?
Pra que memórias?
Não há memórias
Se não se é ninguém.
Não busco mais nada
Que o nada mais absoluto.
Não sou nada mais
Que o mais absoluto nada.
Pra que memórias
Se não as tenho, se não as enxergo,
Nesta enxerga que sou eu.
Minha memória só me permite
Alcançar, do meu passado,
O simples mortal que viveu
Sem saga e sem lembranças
De um passado que não vingou.
Quem sou eu? O que eu sou?
(Poema de Francisco Dantas, 2008)
EU POSSO TUDO NAQUELE QUE ME CONFORTA.
CONFORTO
Em busca da Fé,
Tentei encontrar
Consolo pra angústia
Infinita da alma
A me atormentar.
Senti muitas dores,
Chorei muito pranto,
Perdi todo o encanto
Que tinha por Ti.
Mas do alto da Cruz,
Senti, dos teus olhos,
Bondade de Pai,
Que, olhando seu filho,
Lhe diz em silêncio:
-- Meu filho querido,
Apesar destes cravos,
Recolho meus braços,
E te envolvo num abraço,
Eu velo por ti.
(Poema de Francisco Dantas, 2008)
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